Quando a natureza pode ajudar com segurança
No cuidado à pessoa idosa, cada vez mais profissionais e famílias buscam abordagens integrativas que vão além dos medicamentos convencionais. Nesse cenário, os fitoterápicos — substâncias vegetais ou extratos de plantas com finalidade terapêutica — ganham destaque. Mas será que são realmente seguros para quem envelhece? E como você, profissional ou cuidador, pode utilizá-los com responsabilidade na rotina de acompanhamento de idosos?
Você sabe o que são fitoterápicos e para que servem?
De modo geral, um fitoterápico é considerado um medicamento ou suplemento derivado de plantas medicinais que têm comprovação de eficácia, dose definida e regulamentação. Plantas medicinais, por sua vez, são preparações menos padronizadas (chás, infusões) que também têm uso popular, mas com menos rigor no controle de qualidade.
Para o idoso, que muitas vezes convive com polimedicação, comumente para hipertensão, diabetes, problemas cognitivos, e sofre alterações metabólicas típicas da idade, a busca por algo “natural” parece atrativa — menor efeito colateral, origem vegetal, “algo que sempre funcionou em casa”. Entretanto, estudos alertam: essa impressão de segurança é enganosa.
Os fitoterápicos possuem diversos benefícios e quando bem indicados, sob supervisão profissional podem colaborar no cuidado do idoso de formas diversas:
- Ansiedade e insônia: Extratos de passiflora, valeriana ou camomila, por exemplo, demonstraram efeito de redução no tempo para dormir e melhora da qualidade do sono.
- Conforto e bem-estar: alguns chás ou infusões podem trazer momentos de relaxamento, socialização e ritual de cuidado — algo importante nas ILPIs e no ambiente domiciliar de idosos.
- Complemento de tratamento: quando indicado por médico ou farmacêutico, pode integrar estratégias de cuidado para melhorar qualidade de vida, com menor carga de medicamentos convencionais.
Os riscos que quem cuida deve conhecer
Para os profissionais que atuam com idosos, é imprescindível conhecer os cuidados quanto ao uso de fitoterápicos:
- Interações medicamentosas: idosos costumam utilizar múltiplos fármacos — anticoagulantes, anti-hipertensivos, sedativos. Um fitoterápico pode alterar a eficácia ou risco de um medicamento já em uso.
- Qualidade e dose: plantas mal identificadas, processos de secagem inadequados, ou preparações caseiras podem comprometer segurança. Estudos apontam que muitos idosos acreditam que “por ser natural, não há risco”.
- Falta de acompanhamento: sem registro de melhora, registro de efeitos adversos ou comunicação com equipe multiprofissional, o uso de fitoterápicos pode se tornar “uma intervenção solta” — e no idoso, isso é perigoso.
- Regulação: nem todos os extratos ou chás são fitoterápicos regulamentados. O profissional deve atentar para isso.
Como aplicar isso no cuidado diário
Para quem cuida, seja em ILPI ou domiciliar, algumas práticas podem tornar o uso seguro e construtivo:
- Avaliar com equipe clínica: identifique se o idoso está em uso de muitos medicamentos ou se há problemas de fígado, rim ou sensibilidade.
- Obter autorização médica ou farmacêutica: antes de iniciar qualquer fitoterápico ou chá “terceiro”, consulte o médico ou farmacêutico responsável.
- Registrar tudo: horário, dose, evolução, melhora ou efeitos adversos. Isso permite monitoramento.
- Incluir no planejamento de cuidado: por exemplo, oferecer a infusão no ambiente de acolhimento ou repouso, aproveitando para interação, leitura ou calma.
- Revisar depois de 2 a 4 semanas: se não houver melhora ou se surgirem efeitos indesejados, interrompa e reavalie.
A Ideal Cuidar e o papel do cuidador nessa abordagem
Na Ideal Cuidar, acreditamos que o cuidado ao idoso vai além do físico — envolve atenção, individualidade e segurança. Como cuidador ou técnico de enfermagem, você está na linha de frente desse cuidado. Se, dentro de seu papel, você identificar que o idoso está em uso de chás, infusões ou fitoterápicos, compartilhe com a equipe de saúde, registre-lo e acompanhe com olhar atento.
“Cuidar é também acompanhar — não apenas aplicar”, diz a fundadora da Ideal Cuidar, Alessandra Lima. Isso significa que toda iniciativa de bem-estar, mesmo “natural”, precisa ser integrativa, documentada e segura.
Comente e participe desta discussão!